terça-feira, 11 de outubro de 2011

Notícias velhas – Capitalização de 2010 da Petrobras na Folha.com


Notícias velhas – Capitalização de 2010 da Petrobras na Folha.com

INTRODUÇÃO
Este trabalho estudou a cobertura da capitalização em 2010 da Petrobras
(Petróleo Brasileiro S/A), que é uma empresa de capital aberto (sociedade anônima),
cujo acionista majoritário é o governo do Brasil (União).
Foram analisadas todas as notícias do site Folha.com (www.folha.uol.com.br) do
período de 1º de agosto a 30 de setembro de 2010 que citaram a capitalização. No total
foram 228 notícias analisadas.
A capitalização da Petrobras foi uma oferta pública de ações, feita em 24 de
setembro de 2010, na BM&FBovespa. O lote inicial previa a emissão de 2,17 bilhões de
ações ordinárias e 1,59 bilhão de preferenciais. Os lotes adicional e suplementar
incluíam ainda mais 940 milhões de ações. Até o final de setembro, a operação tinha
arrecadado oficialmente R$ 115 bilhões, mas o valor subiu com a venda de lotes
adicionais e em dezembro era de cerca de R$ 124 bilhões. Foi a maior venda de ações já
feita no mercado de capitais na história. Até então a maior havia sido a da Nippon
Telégrafos e Telefonia (R$ 62,4 bilhões), no Japão em 1987.
A Petrobras deseja todo esse dinheiro para acionar seu plano de exploração da
camada pré-sal, uma das últimas reservas conhecidas de petróleo no mundo. As áreas do
pré-sal incluídas na capitalização devem ter capacidade de produção de 2,126 milhões
de barris por dia, volume semelhante ao produzido atualmente no país, em torno de 2
milhões de barris por dia.
Tupi foi a primeira área das chamadas reservas pré-sal a ser descoberta e
anunciada pela companhia. O campo possui entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de óleo
equivalente (petróleo e gás), de acordo com estimativas. Atualmente, as reservas
brasileiras de petróleo e gás são de 15 bilhões de barris. Assim, apenas as projeções
preliminares feitas pela Petrobras em quatro áreas do pré-sal (Tupi, Iara, Guará e Parque
das Baleias), de volumes recuperáveis entre 10,6 bilhões e 16 bilhões de barris
equivalentes, já seriam suficientes para dobrar as reservas atuais do país.
Porém, as reservas do pré-sal estão em camadas muito profundas. O campo de
Tupi, por exemplo, se encontra a 300 quilômetros do litoral, na bacia de Santos na
projeção cartográfica do estado do Rio de Janeiro, a uma profundidade de 7 mil metros
e sob 2 mil metros de sal. A tecnologia para a extração de óleo e gás nessas condições
ainda tem que ser criada.
Sozinho, o governo federal comprou dois terços das ações emitidas na
megacapitalização da Petrobras, o equivalente a cerca de R$ 76,8 bilhões. Mas a forma
como a União atuou na capitalização foi diferente dos demais acionistas: segundo lei
aprovada pelo Congresso, a União foi autorizada a dar 5 bilhões de barris do pré-sal
como sua contrapartida no aumento de capital da estatal. A União é a dona do petróleo
do país.
Nessa operação, portanto, a parte da União não representou dinheiro imediato no
caixa da empresa. Essa cessão onerosa é intermediada por títulos da dívida pública, isto
é, a compra de ações foi feita com títulos, que depois serão trocados pelos 5 bilhões de
barris – os barris serão pagos pela Petrobras com os títulos da dívida pública emitidos
pela União. A Petrobras poderá explorar sem licitação os 5 bilhões de barris, que
tiveram preço médio fixado em US$ 8,51. O preço vai variar de acordo com o bloco de
onde virão os barris cedidos pela União.
Com a capitalização, a parte do governo na petrolífera subiu de 40% para 48%
do capital total. Além da cessão de barris de petróleo, os papéis da Petrobras foram
adquiridos também pelo BNDESPar, pela Caixa Econômica Federal e pelo Fundo
Soberano do Brasil. O governo federal, o BNDESPar e o Fundo Soberano atingiram
64% do capital votante da Petrobras, segundo comunicado enviado pela estatal à SEC
(CVM dos EUA).

PROBLEMA
Após leitura, levantamento de assuntos e análise do objeto de estudo, a tese
defendida é que a cobertura do portal Folha.com da capitalização da Petrobras repetiu
em excesso cinco temas principais: Mercado financeiro (106 vezes); Oscilação das
ações da Petrobras (77); Participação do governo na Petrobras (70); Desconfiança do
mercado (67); e Preço dos barris que a União vai ceder (62). São os temas que chamo de
“notícias velhas” – visão corroborada até por um analista de corretora entrevistado pelo
site estudado.
Com isso, o portal tomou o caminho editorial de focar seus textos, fotos, vídeos
e sons na ótica do mercado financeiro, o que é apenas uma escolha dentre tantas outras
que poderiam ter sido feitas, mas que pecou pela falta ou número pequeno de outras
opções para melhor entender esse importante momento da economia brasileira. Essa
escolha de notícias também procurou colocar em dúvida a maior participação do Estado
da economia, traduzidas nas várias notícias sobre a desconfiança do mercado e opiniões
contrárias ao modelo e eficiência da União. A cobertura da Folha.com também defendeu
maiores direitos para os acionistas minoritários (possuidores de ações de uma empresa
com direito voto sem, no entanto, ter seu controle acionário).

DESCRIÇÃO
Este trabalho extraiu e somou os temas das 228 notícias analisadas. Também foi
feito o mesmo com as fontes (instituições e/ou pessoas ouvidas) nas notícias. A divisão
dos temas foi a seguinte:
Temas Quantidade
Mercado financeiro 106
Oscilação das ações da Petrobras 77
Participação do governo na Petrobras 70
Desconfiança do mercado 67
Preço dos barris que a União vai ceder 62
Desempenho da Bovespa 56
Necessidade da Petrobras receber dinheiro 50
Capitalização afeta câmbio 45
Mercado sinaliza aprovar fase da
capitalização 37
Maior oferta de ações da história 37
Ganho de minoritários 36
Endividamento 32
Investment grade 28
Dificuldades estratégicas da Petrobras 27
Funcionamento jurídico/técnico da
capitalização 23
Uso polítco da Petrobras 21
Reservas do pré-sal 20
Eleições 17
Avaliação de perde e ganha 14
Uso de FGTS na capitalização 13
Mão do mercado 12
Oferta da Petrobras paralisa mercado 7
Política de aumento da presença do Estado 6
Divergência entre certificadoras 5
Marco regulatório 5
Valor de mercado 5
Grande entrada de dólares no país 4
Declaração de reforço da capitalização 4
Dificuldades na Justiça 4
Fundo Soberano 4
Opinião para investir 4
Novos IPOs 4
Período de silêncio 3
Superavit primário 3
Perdas da União 2
Custo de extração no pré-sal 2
Governança corporativa 2
Dívida pública 2
Duplo papel da União 2
Retornos em longo prazo 2
Deficit em transações correntes 2
Falta de informações ao investidor 2
Estado X Mercado 2
Destinação dos recursos do pré-sal 2
Alternativas energéticas 2
Prêmio de consolação 2
Dinheiro de fora do governo 2
Carry trade 1
Desconfiança de empresários 1
Regime de partilha 1
Road show no exterior 1
Avaliação de risco positiva 1
Obra da Petrobras 1
Combustível caro para os consumidores 1
Reestatização 1
Novas áreas na capitalização 1
Crédito privado 1
Acordo internacional 1
Patrimônio dos acionistas 1
Discussão na mídia 1
Futuro da Bolsa 1
Programa exploratório 1
Fronteira marítima 1
Opinião para não investir 1
Aplicação em opções de ações 1
Formadores de mercado 1
Valor de mercado da Bovespa 1
Petros 1
Previ 1
Fornecedores da Petrobras 1
Empréstimos assegurados 1
Pequeno investidor de varejo 1
Sistemas eletrônicos das corretoras 1
Carteira do BNDES 1
Capital votante 1

A descrição dos cinco principais temas segue abaixo:
1- Mercado financeiro: O portal abordou a capitalização da Petrobras essencialmente
pela ótica do mercado financeiro. Desde o início de agosto foi dado pelo menos uma
notícia por dia com o desempenho do Ibovespa e cotação do dólar, além de trazer dados
financeiros dos EUA, Europa e da Ásia. Quase como regra, a capitalização da Petrobras
era citada como razão da baixa ou alta das ações, tanto no texto dos jornalistas como em
trechos de analistas entrevistados.
A partir do dia 18 de agosto essa cobertura do mercado financeiro foi ampliada.
O portal passou a dar por dia quatro notícias sobre o tema: uma por volta das 11h sobre
a abertura da Bolsa; outra por volta das 13h30 sobre como foi o desempenho até o
momento; outra perto das 16h centrada no fechamento da cotação do dólar; e uma
última após as 18h com o balanço final do dia. Em todas as quatro oportunidades a
capitalização da Petrobras era citada.
O tema mercado financeiro acabou também inserido não apenas em matérias
sobre o dia da Bovespa, mas também em notícias sobre a grande entrada recente de
dólares no país, o preço dos barris que a União vai ceder a Petrobras, déficit em
transações correntes, dificuldades estratégicas da Petrobras, entre outras.
2- Oscilação das ações da Petrobras: Dentro da cobertura centrada no mercado
financeiro; a oscilação das ações da Petrobras foi assunto central. É importante ressaltar
que a estatal tem a maior participação na Bovespa, seguida pela Vale, então é natural
citar muito o sobe-e-desce do valor das ações nesse tipo de cobertura.
Mas o site destacou em demasiado que as ações caíram bastante neste ano antes
da capitalização, em cerca de -20%, e nem sempre explicando todos os motivos: além
da incerteza sobre a capitalização houve também a mão do mercado tentando derrubar
as ações antes da oferta pública.
3- Participação do governo na Petrobras: Foram muito ressaltadas as ações do governo
federal na definição da capitalização e na administração da Petrobras. As matérias
procuram mostrar que um dos motivos da capitalização, além de conseguir recursos
para os investimentos do pré-sal, foi principalmente aumentar o controle da União sobre
a estatal. Por exemplo, no dia 10 de agosto o site trouxe entrevista com o diretor-geral
da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, na qual ele defendeu que o
governo saia “mais dono” da Petrobras após a capitalização da empresa.
No dia 13 de setembro também foi dito pelo repórter do site que “o presidente
[Lula] deseja terminar seu mandato com a bandeira de que conseguiu recomprar boa
parte das ações que o tucano FHC vendeu para o setor privado” na matéria
“Capitalizações de estatais podem atingir R$ 83 bilhões”.
Após a capitalização essa afirmação ficou mais comedida nos textos: “O
objetivo jamais declarado pelo governo era voltar a ter 50% do capital da Petrobras,
como ocorria até o governo Fernando Henrique Cardoso”, na matéria “Participação do
governo na Petrobras sobe de 40% para 48%, diz Mantega” de 24 de setembro.
4- Desconfiança do mercado: Foram 67 citações com desconfianças do mercado
financeiro em relação à capitalização. As críticas principais foram relacionadas ao prazo
estabelecido pelo governo para a oferta pública de ações (seria cumprido ou não?);
especulações sobre o preço do barril que a União usou na capitalização (o site defendia
que o governo lutava por um preço alto para ficar com mais ações); dificuldades
técnicas para organizar a capitalização; dificuldades administrativas da Petrobras em
explorar o pré-sal no futuro; e interferências políticas na capitalização.
O site trouxe a informação no dia 18 de agosto de que o megainvestidor George
Soros, um dos ícones do mercado financeiro mundial, vendeu no segundo trimestre
todas as suas aplicações em papéis da Petrobras, que eram o principal investimento da
sua carteira ao menos até o fim de março. Essa informação, claramente desfavorável à
Petrobras, foi repetida depois em várias outras matérias da cobertura.
Nas palavras dos jornalistas ou de analistas de corretoras, as matérias disseram
que oscilação das ações da Petrobras era devida às notícias da capitalização da
Petrobras. Ou seja, com mais notícias sobre incertezas, mais voláteis ficam as ações – é
difícil saber quem inicia esse processo.
5- Preço dos barris que a União vai ceder: Textos abordaram uma queda de braço entre
a Petrobras e a ANP pelo preço do barril.
A ANP contratou a consultoria Gaffney, Cline and Associates e a Petrobras a De
Golyer and McNaughton para calcularem os valores. Baseados em fontes em off ou
afirmações de repórteres do site, as matérias afirmaram que a Petrobras tinha interesse
em um valor mais baixo para o barril, porque receberia mais dinheiro vivo ao invés de
títulos da dívida.
Já o outro lado, usando uma matéria da Reuters, o portal trouxe no dia 10 de
agosto entrevista com o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, na qual ele diz que
esperava um preço em torno de US$ 7 ou US$ 8 para o barril de petróleo e que
considerava um valor próximo a US$ 5 muito pequeno. Segundo Lima, eventuais sobras
de ações poderiam ser compradas pela União com dinheiro, e não com títulos públicos.
O que de fato ocorreu, a operação da União também usou dinheiro, mas isso foi pouco
citado antes da capitalização.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi entrevistado no dia 20 de agosto e
disse que a avaliação das reservas do pré-sal para a capitalização da Petrobras levaria
em conta apenas critérios técnicos. Ele também é presidente do conselho de
administração da Petrobras e destacou não haver problema em acumular os cargos em
meio ao processo e garantiu que não haveria manipulação para favorecer qualquer lado.
Já matéria do dia 28 de agosto afirma que o portal apurou que o presidente Lula preferia
um valor próximo a US$ 10 para o barril.
Representante da Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais)
também foi ouvido, no dia 31 de agosto, e defendeu que a União não deveria definir o
preço do barril. “Nossa tese é que a capitalização, na verdade, é feita com barril. Eles
[União] teriam que se abster de votar o preço do barril -e não das LFTs [títulos
públicos]. Mas essa foi a forma encontrada para a União tirar todos os empecilhos
jurídicos e ter a liberdade de definir sozinha o preço do petróleo”, disse Edison Garcia,
superintendente da Amec.
Depois, uma entrevista com o presidente Lula no dia 1º de setembro mostrou que
o pensamento dele era realmente próximo a tese defendida pela Folha.com. “Se a gente
fica aqui achando que serão os acionistas que vão dizer o que a União vai pedir, você
não precisava fazer negócio porque nós já sabemos que eles querem o preço mais barato
possível”, disse o presidente. Lula afirmou, segundo o portal, que o petróleo pertence à
União e é dela a responsabilidade por definir o preço “mais justo”.
O preço final definido para o barril foi da média de US$ 8,51, portanto mais
próximo do que a ANP defendia, já que a União teria espaço para obter mais ações.
Porém, o mercado financeiro reagiu bem já no dia seguinte, 2 de setembro, com altas
seguidas das ações da Petrobras. Após a definição da data da capitalização e do preço do
barril, o próprio portal disse que “para analistas, o mercado tende a reagir positivamente
à confirmação dessa operação”. Foram 37 textos favoráveis a capitalização depois
dessas confirmações. Mais do que preço do barril, a definição da realização de fato da
capitalização parecia ser o motivo principal da desconfiança do mercado.
Outros temas importantes abordados seja porque ajudaram a corroborar o efeito
dos cinco primeiros ou porque foram citados poucas vezes apesar de importantes para
entender a capitalização:
- Ganho de minoritários (36 vezes): O portal defendeu que os interesses dos acionistas
minoritários estavam sendo deixado de lado para favorecer mais a União. Também foi
dito que eles seriam diluídos porque o preço para acompanhar a ação da União com a
cessão onerosa dos barris seria muito alto.
Porém, poucos investidores foram ouvidos para confirmar essas teses, como a
entrevista com a Amec citada acima. No dia 13 de setembro, um pequeno investidor foi
ouvido, mas numa matéria centrada na aplicação em opções de ações (“Operação com
opções de ações cresce 80% na BM&FBovespa neste ano”), na qual o entrevistado dizia
só ter no momento prejuízos com as ações da Petrobras.
A grande matéria sobre minoritários foi apenas uma, no dia 1º de setembro, que
trouxe uma entrevista grande com o gestor Will Landers, da norte-americana
BlackRock, maior acionista minoritária da Petrobras. Ele disse considerar muito
importante a definição do preço do barril da cessão onerosa, para “saber se a operação
faz sentido ou não”. Mas não se limitou a isso: a maneira “como a operação é
estruturada” também foi citada com importância. Em relação a esse ponto, a cobertura
do portal trouxe apenas 23 menções ao funcionamento jurídico/técnico da capitalização.
E Will Landers também minimizou dois fantasmas que a cobertura considerou
sérios em relação à Petrobras, atribuindo-os mais a excessos da mídia, politização ou
condições comuns no mundo.
1) Tratamento dado aos minoritários: “Não vou reclamar antes de saber qual é a
absorção final do negócio. O caso não terminou ainda. Hoje, essa discussão está muito
mais na mídia do que entre os acionistas. Ficou muito politizado. Vamos esperar para
ver se a operação vai ser feita de maneira que deixe o mercado confortável. Não será a
última vez que a Petrobras terá de ir ao mercado levantar dinheiro.”.
2) Incertezas derrubaram ações da Petrobras: “Sem dúvida. Mas isso acontece também
porque o acionista será diluído. A operação lembra ao mercado que a Petrobras é uma
companhia do governo. Qualquer companhia do governo -e não é só no Brasil- vai ter
um desconto em relação a uma companhia 100% privada. E pelo simples fato de que
sempre tem essa possibilidade de troca do governo.”
- Endividamento (32) e Investment grade (28): Temas também muito repetidos, quase
sempre a cobertura lembrava que a Petrobras precisa de dinheiro, não só para o
investimento do pré-sal, mas também para diminuir seu grau de endividamento e com
isso manter sua facilidade para conseguir empréstimos com juros menores.
No período analisado, porém, esses dois temas tiveram apenas duas matérias
mais longas para analisar o assunto: “Endividamento da Petrobras chega ao limite da
meta da empresa” (13 de agosto) e “Endividamento alto não é visto como um
‘detonador’, diz Petrobras” (17 de agosto).
A Petrobras atingiu, em 30 de junho, um nível de endividamento de 34% do
patrimônio líquido da companhia, ante 32% verificados no final do primeiro trimestre.
O endividamento total da companhia chegou a R$ 94 bilhões no final do segundo
trimestre, acima dos R$ 81 bilhões verificados em 31 de março de 2010.
O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir
Barbassa, disse ao portal que, diante do nível de investimento da Petrobras, é natural
que as agências de classificação estipulem um teto de 35% para dar o investment grade
para uma empresa. Segundo também o portal, para Barbassa, a concessão do investment
grade resulta de uma análise ampla, e não apenas da avaliação do nível de
endividamento. Ele garantiu que as agências de risco que indicaram a Petrobras como
boa empresa para se investir vêm mantendo estabilidade no rating da Petrobras.
Ou seja, apesar de ser muito citado na cobertura o endividamento da Petrobras é
tido como controlado pela empresa e não é citado como a única razão para perder o
investment grade. Claro que essa avaliação da Petrobras pode ser mentirosa, já que é de
interesse da estatal. Mas o site não foi atrás de mais fontes para desmentir ou comprovar
essas avaliações.
Isso só foi feito em uma matéria da Reuters do dia 18 de agosto, “Standard &
Poors não mudará classificação da Petrobras no curto prazo”, que entrevistou Regina
Nunes, presidente da agência de classificação de riscos Standard & Poors para o Brasil.
Ela disse que não há razão para a Petrobras perder o grau de investimento, mesmo que a
capitalização não fosse realizada. “Na opinião da Standard & Poors, não está sendo
discutido ela [Petrobras] perder o grau de investimento com a situação realista que ela
tem hoje”, disse. E também afirmou que a nota depende de mais fatores. “Não dá pra
formar a nota com base em um dado só [como a alavancagem]. O Brasil virou grau de
investimento com conta corrente negativa”, afirmou Regina. Essas informações da
Standard & Poors não foram depois repetidas na cobertura.
Ainda nos temas de endividamento e investment grade faltou também mostrar
informações como quais são os motivos do endividamento, como a Petrobras paga essas
dívidas, quais seus vencimentos, tudo que de fato é levado em conta no investment
grade, entre outros detalhes.
- Dificuldades estratégicas da Petrobras (27) e Dificuldades na Justiça (4): O que
interessa mesmo para uma empresa petrolífera é boa gestão, desenvolvimento
tecnológico e preço bom do barril do petróleo no mundo. Mas como já visto a cobertura
da Folha.com foi muito centrada no mercado financeiro, em oscilação de ações e na
discussão sobre a participação ou não da União na Petrobras.
As dificuldades estratégicas da estatal foram pouco citadas e na maioria das
vezes rapidamente. A matéria mais abrangente desse tópico foi “Gargalos ameaçam
compras da Petrobras no Brasil” do dia 10 de agosto. Como o texto aponta, há falta no
mercado nacional de construção naval, instrumentação e automação, caldeirarias etc. Os
itens gestão e preço do petróleo no mundo nem foram analisados no período estudado.
Quanto ao tema Dificuldades na Justiça, a maior exposição foi em “Procurador
pede apuração que pode contestar pré-sal”, matéria do dia 12 de agosto. O procurador
Paulo Roberto de Carvalho do DF questionou se a cessão onerosa dos barris da União
para a Petrobras pode trazer prejuízos para o país. Esse suposto prejuízo e outras
possíveis ações na Justiça contra a capitalização do pré-sal tiveram pouco destaque.
- Falta de informações ao investidor (2): Ponto interessante da capitalização da
Petrobras. Como a operação foi gigante, a estatal contratou todos os bancos e corretoras,
além dos principais consultores e advogados de direito societário do Brasil. Fora isso,
60 dias antes de pedidos de oferta de ações como o da Petrobras, a CVM (Comissão de
Valores Mobiliários) impede que todos os participantes da operação emitam qualquer
avaliação, opinião ou juízo de valor sobre a empresa.
Por isso, como afirma o texto “’Lei do silêncio’ deixa investidor ‘no escuro’ na
oferta da Petrobras” (12 de setembro), o pequeno investidor ficou sem avaliações para
investir ou não. Apenas o grande investidor teve acesso aos “road shows”, em que
executivos da empresa tiravam dúvidas.
Esse silêncio e a grande estrutura a favor da Petrobras poderiam gerar muitos
questionamentos sobre a lisura da capitalização e também sobre a validade efetiva da
regra da CVM. Mas o tema só voltou a ser abordado 29 de setembro no texto e
videocast “Toni Sciarretta: Investidor fica sem informações sobre Petrobras”, no qual o
repórter que mais cobriu a capitalização faz uma espécie de balanço do processo. Ele
levanta essas dúvidas, mas diz que pelo menos a comissão paga foi baixa para os
envolvidos:
“O problema é que, como todos eram parte interessada, quase ninguém podia
falar nem bem nem mal, afinal tinha seus interesses particulares. Pode-se pensar até que
a Petrobras distribuiu dinheiro para ‘calar’ todo mundo, ou que a operação do ano foi
uma grande farra da capitalização.
Mas isso também não é verdade. A operação rendeu aos bancos de investimento
e demais intermediadores cerca de US$ 147 milhões em comissões-- 0,21% da operação
de US$ 70 bilhões.
Só para comparar, o HSBC o maior banco europeu em valor de mercado,
levantou US$ 19,4 bilhões no ano passado e pagou US$ 520,9 milhões-- 2,6%. No
Brasil, a média das comissões nos IPOs é de 3% e 4%.”
- Política de aumento da presença do Estado (6) e Estado X Mercado (2): Em algumas
matérias a Folha.com disse claramente com todas as letras o que ficava subentendido
em muitas outras: o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem em curso uma
política de aumento da presença do Estado na economia que pode trazer riscos para o
país e para o mercado financeiro.
No texto “Capitalizações de estatais podem atingir R$ 83 bilhões”, de 13 de
setembro, por exemplo, são somadas as capitalizações da Petrobras, do Banco do Brasil,
da Eletrobras e da Telebrás dentro do cronograma montado pela equipe de Lula.
“Somadas, as operações de aumento de capital das quatro empresas podem atingir R$
83 bilhões no segundo semestre de 2010, valor próximo dos R$ 117,6 bilhões que o
Tesouro Nacional detinha diretamente em 121 estatais no ano passado, segundo dados
do próprio órgão. O investimento nessas operações é suficiente para construir o trembala
e as usinas de Belo Monte (PA), Santo Antonio e Jirau (ambas no rio Madeira, em
Rondônia). Equivale ainda a duas vezes os investimentos federais no PAC (Programa de
Aceleração do Crescimento) previstos para o primeiro ano do próximo governo”, diz a
matéria.
Essa política é apontada como arriscada, por economistas do Ipea (Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada) e da consultoria Tendências, por trazer riscos fiscais de
médio e longo prazo e desestímulos a investimentos do setor privado.
Textos da BBC Brasil também reproduziram reportagens e editoriais de veículos
ligados ao mercado financeiro, “Financial Times” e “The Economist”, que também
criticaram a presença do Estado na economia brasileira, em razão da criação de males
como aumento da dívida pública e no caso da Petrobras há o perigo de se criar uma
“companhia inchada e superampliada”.
- Uso político da Petrobras (21) e Eleições (17): Vale ressaltar que a Folha.com tentou
poucas vezes associar a capitalização da Petrobras às eleições presidenciais de 2010, um
caminho em tese mais fácil para atacar o governo federal.
No começo da cobertura, inclusive, o site chegava a afirmar na verdade as
eleições é que deixavam em dúvida se a capitalização seria feita ou não até o fim de
setembro porque o governo achava que o processo eleitoral poderia atrapalhar a imagem
da capitalização.
A crítica mais comum repetida na cobertura é que uma suposta ingerência
política do governo prejudica a Petrobras, mas sem entrar em detalhes.
Foram noticiadas apenas em apenas 4 vezes menções públicas da então
candidata do governo ao Planalto, Dilma Rousseff, sobre a capitalização e todas elas
sem ataques.
As críticas mais fortes de um uso político da Petrobras vieram de textos da BBC
Brasil que trouxeram reportagens e editoriais de veículos ligados ao mercado financeiro,
“Financial Times” e “The Economist”. No mais duro, “Em artigo no ‘FT’, analista diz
que Lula arrisca legado fomentando ‘euforia’ petroleira”, de 12 de agosto, foram
reproduzidas afirmações do diretor-executivo do instituto Fernand Braudel de Economia
Mundial, Norman Gall:
“Lula está usando a imagem do Brasil como potência petroleira emergente como
uma arma política, invocando sentimentos de triunfalismo para ajudar a levar o PT à
vitória [eleitoral]
(...)
Da mesma forma que [na lenda] Ícaro viu suas asas de cera derreterem quando
voou perto demais do sol, Lula está arriscando seu legado à medida que as polêmicas se
multiplicam em relação às suas políticas petroleiras.
(...)
Quando Lula chegou ao poder, em 2003, teve a sabedoria de reconhecer que os
brasileiros não aceitariam um retorno à inflação crônica que impediu seu bem-estar
durante décadas. Os críticos agora argumentam que o aumento no gasto público, junto
com as polêmicas financeiras envolvendo as descobertas de petróleo, pode significar um
infeliz retorno ao passado.”
Essas acusações tão diretas de uso político da Petrobras não foram depois
repetidas.
Em relação a fontes ouvidas, também transpareceu a opção editorial por matérias
mais voltadas para o mercado financeiro. Analistas de corretoras lideram com folga,
mesmo com a “lei do silêncio” em grande parte das corretoras:

Fontes Número
Analista de corretora 44
Direção Petrobras/nota oficial 26
Ministro do governo/secretário 13
Não reveladas – off 11
Presidente da República 9
Analista de banco 5
Presidente/Diretor do Banco Central 5
Analista de agência de câmbio 5
Diário Oficial da União 5
Nota oficial do governo 4
Reportagem/editorial do "Financial Times" 4
Candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff 4
Direção da BM&Fbovespa 3
Acionista 3
Presidente do BNDES/Nota 3
Economista do Insper 3
Direção da ANP 2
Empresários 2
Ex-funcionário da Petrobras 2
Agência de risco 2
CVM 2
Escola de investimentos 2
Consultorias financeiras 2
Fundos de pensão 2
Candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva 2
Direção da Prominp 1
Economista estrangeiro 1
Ministro do TCU 1
Professor universitário 1
Governador do ES 1
Candidato à Presidência do PSTU 1
Amec 1
Banco suíço UBS 1
Centro Brasileiro de Infraestrutura 1
Anbima (associação das entidades do mercado) 1
Apimec-SP (associação dos analistas) 1
CBIE (Centro Brasileiro de Infra Estrutura) 1
Ipea 1
WTorre 1
Relatório do Banco Central 1
Relatórios de consultorias Gaffney, Cline & Associates e
DeGolyer & MacNaughton 1
Fundo de investimentos 1
CMA 1
Diretor da Caixa Econômica Federal 1
Secretário do Tesouro Nacional 1
Editor da revista britânica "The Economist" 1

ANÁLISE
Como mostra Kucinski (2007), o jornalismo econômico pode funcionar como
um braço auxiliar da política, como ocorreu “na implantação do projeto neoliberal, em
especial na campanha pelas privatizações, em que todos os meios de comunicação de
massa adotaram a mesma posição, apesar da sociedade civil estar dividida.”
No caso estudado neste trabalho houve uma defesa também da política
neoliberal pela Folha.com, com críticas diretas e indiretas a participação da União no
controle da Petrobras. O jornalismo é exercido por uma elite intelectual e tem papel
decisivo na criação de expectativas e no jogo do poder, ressalta Kucinski (2007).
O mesmo autor aponta que o traço ideológico mais geral e permanente do atual
estágio do jornalismo econômico é a “defesa da livre empresa na esfera econômica e da
democracia liberal na esfera política”. Competitividade é vista como a “conquista de
mercados”, mas que à custa da destruição do emprego ao invés de sua criação, como
apontou editor da revista britânica “The Economist” sobre o risco da Petrobras se tornar
uma “companhia inchada e superampliada”.
Dois traços da mentalidade jornalística que Kucinski (2007) descreve foram
vistos na análise dos textos sobre a capitalização: oficialismo e entreguismo. A maioria
das fontes ouvidas nas matérias foram do governo e de analistas de corretoras, ou como
o autor diz, fontes oficiais e técnicos. Quanto ao entreguismo, é a tendência de não se
acreditar em nada que seja nacional ou brasileiro, como no caso o sucesso da
capitalização da Petrobras.
Mas a oferta pública de ações teve bons resultados, até para os minoritários. Na
matéria “Petrobras capta R$ 120,4 bi com ações” do dia 23 de setembro são listados os
resultados alcançados.
“Apesar de críticas e rumores contrários, a adesão dos maiores fundos de
investimento do mundo à oferta de ações teria superado mais de uma vez e meia a
demanda.
Na semana passada, esses mesmos fundos falavam que poderiam não entrar na
oferta por conta de riscos da operação no pré-sal, da diluição dos lucros com mais
acionistas e do desrespeito aos minoritários.
(...)
Surpreendentemente, as ações da estatal disparam hoje; a expectativa era que
desabassem mais. Os papéis ON terminaram o dia a R$ 30,25 (alta de 1,92%), e os PN,
a R$ 26,80 (3,16%).
A interpretação foi que os grandes investidores não conseguiram levar
integralmente os papéis que fizeram reserva e tentavam, hoje, comprar as ações antes de
uma possível alta.
(...)
Também surpreendeu a entrada de pequenos investidores do varejo, incluindo os
que puderam utilizar recursos do FGTS (só podia quem entrou em 2000). Os
coordenadores acreditam que 400 mil pessoas possam ter participado da oferta.
Amanhã, será divulgado se houve rateio de ações no varejo.
A adesão foi tão alta que há dúvidas se a União conseguiu, de fato, ampliar de
34% para 50% sua participação na Petrobras.”
Como se vê no texto do site foram muitas surpresas e o veículo de imprensa
errou em muitas avaliações. Matéria no começo do mesmo dia 23 de setembro, às 7h32,
afirmava que a capitalização devia alcançar cerca de R$ 104 bilhões e as ações
próximas de R$ 26 para os papéis PN (sem voto) e de R$ 29 para os ON (com voto). No
dia 17 de setembro, na matéria “Adesão de fundos estrangeiros a oferta de ações da
Petrobras é baixa” a expectativa também era ruim: “Ganhou corpo a avaliação entre os
analistas de que a operação pode ‘micar’ entre os investidores estrangeiros. A adesão
dos atuais acionistas à oferta teria sido baixa, segundo os bancos.”
Claro que não cabe aqui só apontar os erros após os resultados já conhecidos. A
capitalização da Petrobras foi gigante e complexa, vários veículos de mídia erraram em
suas avaliações. Mas aí talvez fosse o caso de consultar mais fontes, fora do mercado
financeiro, para fazer análises alternativas do processo. Como o próprio site mencionou
no tema Mão do mercado (citado apenas 12 vezes), o mercado financeiro atuou para
derrubar o preço das ações da Petrobras para comprá-las mais barato na capitalização.
Seria interessante explicar melhor isso e alertar os fatores que de fato iriam determinar a
compra de ações no dia da capitalização.
Um outro aspecto, mesmo cobrindo uma capitalização na Bolsa de Valores,
talvez fosse fugir da “financeirização da ciência econômica”, como aponta Dowbor
(2007). O autor afirma que a “a área das finanças passou a ser analisada de forma
isolada das suas consequências e utilidade econômica, e a especulação financeira
adquiriu nas ciências econômicas um papel central”.
Por exemplo, a capitalização da Petrobras vai gerar mesmo recursos para o
“desenvolvimento no novo contexto de mudança tecnológica, desregulação e mudança
institucional” que Dowbor (2007) ressalta como importantes? No dia 22 de setembro o
site estudado bem trouxe que para que as áreas do pré-sal incluídas na capitalização da
Petrobras comecem a produzir, será necessária a construção de pelo menos 14 novas
plataformas, que seriam conectadas a 184 poços. Em valores correntes, para a
construção dessas plataformas seriam necessários US$ 18,5 bilhões (R$ 31,8 bi),
segundo relatório da Gaffney, Cline & Associates, consultoria contratada pela ANP. A
capitalização é suficiente para isso e para manter a estrutura da Petrobras já existente em
funcionamento? Fora a operação do governo com a cessão de barris, o dinheiro
assegurado era de cerca de R$ 45,6 bilhões em setembro, ou seja, nem tanto assim além
dos R$ 31,8 bilhões que a consultoria julga necessários. Mais matérias poderiam ter
feito esses questionamentos.
O objeto estudado neste trabalho é um portal de notícias na internet. Kucinski
(2005) mostra as características do jornalismo econômico on line, que muitas vezes
também acabam determinando seus conteúdos e dificultando mudanças. Seu principal
público são os especuladores e as instituições financeiras. Com o jornalismo on line, a
aceleração do tempo provocada pelo domínio da especulação financeira sobre as demais
atividades econômicas “migrou para o processo de produção de notícias, levando a uma
aceleração correspondente do tempo jornalístico”. Como já mostrado, a Folha.com na
cobertura da capitalização da Petrobras chegou a dar quatro matérias por dia apenas
sobre o desempenho das ações da Bovespa e na maioria das vezes só ouvindo pessoas
do mercado financeiro.
Ainda segundo Kucinski (2005), há no jornalismo on line a primazia da
velocidade sobre outros atributos da informação, tais como precisão, contextualização e
interpretação. “Esses atributos são sacrificados em nome da velocidade. (...) É um
jornalismo que não espera o resultado da batalha. Informa cada troca de tiros.”
A terceira característica diferenciadora do jornalismo on line está no uso que
esses veículos fazem de seus conteúdos. O autor explica que enquanto os despachos das
agências de notícias eram e ainda são usados como produto final, publicados com
apenas leves adaptações nos meios mais antigos como jornal impresso, no noticiário on
line é usado como pauta para a cobertura feita pelos próprios jornalistas. “O repórter,
mesmo se já está em campo, recebe por intermédio de seu celular novas ordens de
trabalho, inspiradas em fato que seu chefe acabou de ler no jornalismo on line das telas
de internet. E, como essas pautas tratam majoritamente de economia e finanças, o
processo leva ao domínio temático do capital financeiro e seus interesses na pauta
jornalística geral.”

CONCLUSÃO
Na última matéria estudada, “Bovespa fecha estável; ações da Petrobras sobem
com força e contém queda”, de 29 de setembro (dia 30 a capitalização não foi abordada
no portal), um membro do mercado financeiro, Bernardo Rodarte, da mesa de operações
da Sita Corretora, é entrevistado e afirma que as ações da Petrobras estavam
desatualizadas e podiam ultrapassar R$ 30. Para ele a “notícia velha” do temor da
capitalização já era passado.
“Hoje foi principalmente Petrobras o que segurou o mercado, principalmente por
conta de compras dos estrangeiros. Esse papel estava muito ‘atrasado’, travado por
causa da ‘capitalização’, mas acho que isso já se tornou ‘notícia velha’. Nos temos que
lembrar que essas ações estavam negociadas a mais de R$ 30 até pelo menos agosto do
ano passado, quer dizer, tem muito o que recuperar”, comenta Bernardo Rodarte.
Foi de várias notícias velhas repetidas em excesso que foi feita a cobertura da
Folha.com. Mas, é claro, as notícias que foram demasiadamente repetidas foram as de
interesse do portal, para pôr em dúvida a capitalização da Petrobras e a participação da
União no processo.
A notícia que serviu como um balanço da capitalização pela ótica do site, “Toni
Sciarretta: Investidor fica sem informações sobre Petrobras”, de 29 de setembro, diz: “A
história mostra que nenhuma empresa gigante sobreviveu ao seu próprio gigantismo,
mesmo administradas pelas melhores cabeças da administração. Gestão governamental
fica ainda mais difícil.”
O site tem o direito de dar essa opinião, mas faltou o aprofundamento para
mostrar melhor as dificuldades estratégicas da Petrobras que uma gestão governamental
pode trazer. Além de mostrar mais os pontos positivos para investidores e governo que
estavam sendo atendidos na capitalização.

BIBLIOGRAFIA
Dowbor, Ladislau. “Democracia econômica”. Banco do Nordeste, 2007.
Kucinski, Bernardo. “Jornalismo Econômico”. Edusp, 2007.
_______________. “Jornalismo na era virtual: ensaios sobre o colapso da razão ética”.
Editora Fundação Perseu Abramo/Editora Unesp, 2005.

Nenhum comentário:

Postar um comentário