terça-feira, 26 de julho de 2011

Faltam 120 mil caminhoneiros

A frase antiga “Sem caminhão, o Brasil para”, que decorava vários para-choque pelo país,  ganhou um novo significado. Na verdade, agora falta é caminhoneiro. E muitos.
Estudo da NTC & Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) aponta que o déficit no país é de cerca de 120 mil caminhoneiros, a maioria deles no estado de São Paulo. No total, o Brasil tem 1,2 milhão de caminhoneiros. 
O presidente da entidade, Flávio Benatti, comenta que a falta de mão de obra é um problema que afeta todos os setores da economia, devido ao crescimento rápido do país e à educação precária, mas a situação no transporte de carga é mais grave. “Há uma falta de interesse do jovem por essa profissão, pois  o caminhão vem sendo tratado como um grande problema do país. Tudo isso porque houve falta de planejamento de quem governa ao deixar as estradas em más condições”, dispara. 
O fato de ter menos caminhoneiros no mercado contribui para aumentar os altos custos logísticos do país. Sem motoristas, há uma demora maior para transportar  cargas, principalmente em finais de mês ou em datas comemorativas. 
A transportadora TNT, que atua em todo o país, é uma das muitas do país que sofre com a falta de caminhoneiros. Por meio de sua assessoria de imprensa, a empresa afirma que para contornar esse problema teve que criar um programa para formar motoristas a partir de seu próprio quadro  de funcionários, com aulas de direção defensiva, meio ambiente, respeito a terceiros no trânsito e noções sobre o veículo e mecânica. A empresa tem 1,5 mil motoristas próprios e contrata até 2 mil veículos no período de pico. 


Carteira cara /A CNT (Confederação Nacional do Transporte) também aponta a gravidade da situação e destaca outro problema que dificulta a formação de mais caminhoneiros: a habilitação profissional custa R$ 2, 4 mil.
  A carteira é a de tipo C (caminhão) e E (carretas). O presidente da CNT e do Conselho Nacional do Sest/Senat, senador Clésio Andrade, defende que a carteira seja gratuita para jovens desempregados e de baixa renda. “Hoje, o jovem tem de pagar em torno de mil reais e depois pagar mais para conseguir mudar para as categorias necessárias. O transportador não tem condições de bancar”, disse por meio de sua assessoria. 
A proposta foi entregue no final de junho ao Ministério da Ciência e Tecnologia para criar o Programa Social do Jovem Motorista. Até o fechamento desta edição o ministério não respondeu como está  análise do projeto.


Senat vai oferecer cursos; salário inicial está em alta
A partir deste segundo semestre, ainda sem data definida, o Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) divulga que vai iniciar as inscrições para  cursos, em todo o Brasil, com a finalidade de formar novos motoristas profissionais e elevar a oferta de mão de obra especializada. Os cursos serão realizados nas unidades do Senat e devem contemplar 66,9 mil profissionais por ano. O alvo da formação são motoristas recém-habilitados sem experiência no setor de transporte.  A Senat já oferece cursos, mas hoje só para motoristas com mais experiência. 
A CNT também negocia com o Ministério da Ciência  um plano de formação de caminhoneiros que treinaria 150 mil motoristas nos próximos três anos. Com a falta de mão de obra, o salário de motorista de caminhão está em alta. Segundo a Sert (Secretaria Estadual do Emprego), a média inicial no estado é de R$ 1.108.

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