segunda-feira, 18 de julho de 2011

Inside Job1 - Cadeia Alimentar da Securitização

Andrew Sheng
Assessor-chefe da Comissão de Regulação Bancária da China
"Desde o fim da Guerra Fria muitos ex-físicos e matemáticos decidiram trabalhar não em tecnologia bélica mas, sim, nos mercados financeiros. Com bancos e fundos de hedge. Como disse Warren Buffett, criando armas de destruição em massa.

Barney Frank
Chairman da Comissão Financeira da Câmara
"Há 30 anos, ao pedir empréstimo para comprar uma casa quem lhe emprestava esperava que você pagasse a dívida. O mutuante queria o dinheiro de volta. Nós agora temos a securitização, pela qual o mutuante não mais corre risco de inadimplência."

Usando derivativos, os financistas podiam jogar com praticamente tudo: apostar nos preços do petróleo, na falência de uma empresa, até no clima. No final da década de 1990, os derivativos, já eram um mercado não regulado de R$ 50 trilhões.

+ Cadeia Alimentar da Securitização

Sistema que distribuía trilhões de dólares em hipotecas e outros empréstimos a investidores de todo o mundo em 2001
O setor financeiro dos EUA era mais lucrativo, concentrado e poderoso do que nunca
Dominavam o setor cinco bancos de investimento (Goldman Sachs, Morgan Stanley, Lehman Brothers, Merril Lynch, Bear Sterarns), dois conglomerados financeiros (Citigroup, JP Morgan), três seguradoras de títulos (AIG, MBIA, AMBAC) e três agências de rating (Moody's, Standard & Poor's, Fitch)

+ Sistema antigo para comprar uma casa
No sistema antigo, quando o mutuário pagava a hipoteca todos os meses o dinheiro ia para o mutuante local. Como o amortização das hipotecas levava décadas, era preciso cuidado.

+ Sistema atual, com vários atores agora
No sistema atual, mutuantes vendem as hipotecas a bancos de investimento. Esses bancos reúnem  milhares de hipotecas e outros empréstimos, financiamentos de carro, empréstimos a estudantes e dívidas de cartão para criar derivativos complexos: as obrigações de dívidas colaterizadas ou CDOs.
Os bancos de investimento, então, vendem as CDOs a investidores. E quando os mutuários pagam suas hipotecas o dinheiro vai para investidores em todo o mundo.
Os bancos contratam agências de rating para avaliar as CDOs e muitas obtêm classificação AAA, o grau de investimento mais alto possível.
Assim, as CDOs ficaram atraentes para fundos de pensão, que só compram papéis de alta classificação.

O sistema era uma bomba-relógio. Mutuantes não ligavam se mutuários não podiam pagar e concediam empréstimos mais arriscados.
Para os bancos, tanto fazia. Quanto mais CDOs, mais lucravam.
E as agências de rating, pagas pelos bancos de investimentos nada perdiam se errassem na classificação das CDOs.


No começo de 2000, houve um aumento nos empréstimos mais arriscados, chamados de "subprime". Mas quando milhares de empréstimos subprime eram embalados em CDOs muitos ainda recebiam classificação AAA.

Os bancos preferiam empréstimos subprime. Recebiam juros mais altos. Isso levou a aumento maciço dos empréstimos predatórios. Incluíam-se, sem precisar, mutuários em empréstimos subprime caros e se concediam empréstimos a pessoas incapazes de pagar.

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