Como todos conseguiam empréstimos, os preços das casas dispararam nos EUA. O resultado foi a maior bolha financeira da história.
"A última vez que tivemos uma bolha habitacional foi no final de 80. Naquele caso, o aumento nos preços das casas foi relativamente menor. A bolha habitacional levou a uma recessão bastante severa. De 1996 a 2006 os preços reais das casas efetivamente dobrou."
Nouriel Roubini, professor de negócios na NYU
"Não era nem lucro nem renda. Era apenas dinheiro criado pelo sistema e contabilizado como renda. Em dois, três anos, se houvesse calote, tudo desapareceria. Agora, pensando bem, foi um mega esquema, Ponzi nacional, não só isso, global".
Martin Wolf, principal comentarista econômico do Financial Times
Sob a lei, Home Ownership and Equity Protection, o Fed tinha ampla autoridade para regular o setor de hipotecas. O Federal Reserve Board emitiria as normas necessárias, porém Alan Greenspan se recusou a usá-la.
Na bolha, os bancos de investimento contraíram grandes empréstimos para comprar mais hipotecas e criar mais CDOs. O índice de dívidas de capital dos bancos era chamado de "alavancagem". Quanto mais se endividavam, maior era a alavancagem.
Em 2004, Henry Paulson, CEO da Goldman Sachs, pressionou a SEC para atenuar as restrições à alavancagem permitindo que os bancos inflassem seu endividamento.
Em 28 de abril de 2004, a SEC elevou o limite de alavancagem dos bancos de investimento.
"O nível de alavancagem do sistema financeiro tornou-se absolutamente assustador. Os bancos se alavancaram até o nível de 33:1. Ou seja, uma redução minúscula de 3% em sua base de ativos os deixaria insolventes."
Daniel Alpert, diretor-geral da Westwood Capital
Havia outra bomba-relógio no sistema financeiro. AIG, a maior seguradora do mundo vendia enormes quantidades de derivativos, CDS (swaps de crédito).
Para o investidores em CDOs os CDS eram como uma apólice de seguro. Os investidores que comprassem CDS pagavam um prêmio trimestral à AIG. Se as CDOs micassem a AIG indenizava os investidores.
Mas, ao contrário dos seguros comuns, os investidores também podiam comprar CDS da AIG para apostar contra CDOs alheios.
"O seguro comum só garante os bens do segurado. Eu tenho uma casa, digamos. Só posso fazer o seguro dela uma vez. Os derivativos permitem que qualquer um faça o seguro da casa. E nesse caso, você ou 50 pessoas poderiam segurar minha casa. E o que acontece se um incêndio a destruir? O volume de perdas no sistema seria proporcionalmente maior."
Satyajit Das, consultor de derivativos
Como os CDS não eram regulamentados a AIG não separava verbas para cobrir possíveis perdas. Em vez disso, pagava aos empregados enormes bônus em dinheiro tão logo se assinavam os contratos. Mas se as CDOs micassem a AIG ficaria pendurada.
"Basicamente, as pessoas eram recomprensadas por assumir grandes riscos. Nos bons tempos, geravam receitas e lucros imediatos e ganhamvam bônus. Mas, com o tempo, isso levaria a empresa à falência. É um sistema de remuneração 100% distorcido."
Nouriel Roubini, professor de negócios na NYU
A divisão de produtos financeiros da AIG, em LOndres emitiu US$ 500 bilhões em CDS durante a bolha, boa parte referente a CDOs lastreadas em hipotecas subprime. Os 400 funcionários da AIGFP ganharam US$ 3,5 bilhões de 2000 a 2007.
Em 2006, Raghuram Rajan, economista-chefe do FMI entre 2003-2007, apresentou para os banqueiros centrais do mundo o trabalho "O desenvolvimento financeiro põe o mundo em risco?".
O trabalho de Rajan versou sobre os incentivos que geravam bônus com lucros imediatos sem punição por perdas posteriores. Para ele, os incentivos levavam os banqueiros a assumir riscos que poderiam destruir suas próprias empresas e até o sistema financeiro.
O Goldman Sachs vendeu, pelo menos, US$ 3,1 bilhões dessas CDOs tóxicas na 1a. metade de 2006. O CEO da Goldman Sachs, à época, era Henry Paulson, o CEO mais bem pago de Wall Street. No mesmo ano de 2006 ele foi nomeado Secretário do Tesouro pelo presidente George W. Bush.
Vendeu sua participação de US$ 485 milhões no Goldman Sachs quando foi trabalhar no governo.
Em outubro de 2007, Allan Sloan, editor-sênior da revista "Fortune", publicou um artigo sobre as CDOs emitidas no último mês de Paulson como CEO. Na época um terço das hipotecas estava inadimplentes.
Um grupo que comprara esses papéis hoje sem valor foi o Sistema de Aposentadorias dos Servidores Públicos do Mississipi que paga benefícios mensais a mais de 80 mil aposentados.
Eles perderam milhões de dólares e agora estão processando o Goldman Sachs.
A aposentadoria anual média do servidor público do Mississipi é de US$ 18.750. A remuneração média anual de um empregado da Goldman Sachs é de US$ 600 mil. A remuneração de Henry Paulson era de US$ 31 milhões.
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